segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Psicolorgia III - Namoro Suficientemente Bom

(Post por Andreas Ribeiro & Anna O.)

Seguindo a linha de posts/teorias psicológicas... vou aqui levantar um conceito psicanalítico criado por Pato Donald Winnicott, seguidor das teorias Fróydianas e que fala muito das relações na primeira infância, Winnicott fala sobre as condições maternas necessárias para que o bebê tenha uma boa criação e desenvolve o conceito de Mãe Suficientemente Boa, que basicamente diz que a Mãe tem que ter características e qualidades necessárias pra proporcionar o desenvolvimento do bebê, mas porque “suficientemente”? Ai está o “pulo do gato” na teoria dele, muitas mães acreditam que ser “Boa” para o seu filho é supri-los com todas as suas necessidades/vontades, porém, qualquer um com conhecimento de causa de uma mãe assim, sabe que terá um filho (a) totalmente idiota e dependente, o que não vai ser bom para o seu desenvolvimento, portanto, a mãe tem que ter uma noção da dose exata do que tem que dar ao rebento, ou seja, ela tem que suprir necessidades, mas também gerar frustrações, pois só assim o bebê se desenvolverá de forma satisfatória.
Muito legal Andreas, mas e o título do post, está errado? Não, não está... peguei essa idéia pra tentar fazer um “link” com os relacionamentos e tentar compreender o que seria um “Namoro suficientemente bom”?
Claro que o ser bom ou não é totalmente subjetivo de cada um, mas vamos primeiro pensar nos sentimentos mútuo... o casal tem que ter uma harmonia de sentimento, um namoro que você não sente o amparo no companheiro, que não vê uma reciprocidade sentimental, pode levantar dúvidas e rolar um desamparo de uma das partes. Seria como o conceito de “Holding” de Winnicott, que traduzindo livremente é o “dar colo”, ou seja, estar disponível a amparar o companheiro.
Em contrapartida, alguns pontos já foram discutidos aqui, como o ciúme por exemplo e em qual medida ele pode ser vantajoso ou não... e também há a questão de proximidade/espaço, quão próximos o casal tem que estar pra manter um relacionamento saudável? Uma grande distância pode ser um complicador e tanto, mas ficar muito próximos também pode acabar sendo... se trabalham/estudam juntos então, isso pode ser pior ainda, porque entra a questão do espaço que cada um deve ter dentro do relacionamento... aquela coisa, quando é demais acaba enjoando... e é ai que vejo um comparativo com o “suficientemente bom”, um namoro precisa também de suas pequenas frustrações, daquele momento de saudades que chega a apertar o peito e você torcer para o tempo, as horas e os dias passarem.
E pra finalizar os comparativos, Winnicott criou o conceito de “falso-self”, que é um pouco complexo, mas diz mais ou menos que a pessoa cresce com algum trauma/problema/frustração e pra mascarar (recalcar) este problema, ela cria uma auto-imagem falsa, diferente daquela que deveria ser, simplesmente pra poder lidar com aquela frustração, como em algum aspecto ela se apresentasse como um “falso-eu”. Em um relacionamento isso pode surgir quando há pressão, intrigas e pontos não resolvidos entre o casal. Como por exemplo, aquela seu amigo que seu namorado não suporta e morre de ciúmes, e o que você faz? Conta tudo pro seu namorado, mas pula as partes em que esse amigo estava junto, pra não criar problemas, ou casos mais tensos, como mentir que vai fazer um trabalho pra ir numa festa que ele nãooo pode nem sonhar em imaginar que vai rolar... enfim várias situações que você acaba gerando uma falsa imagem pro seu cônjuge, só pra não ter uma briga... mas que acaba atrapalhando o relacionamento e deixando lacunas problemáticas...
Winnicott aborda também um outro aspecto do falso self: ele é uma defesa frente a um ambiente muito frustrante (tá vendo como a medida certa é difícil?); assim, inconscientemente o bebê tem a sensação de culpa por fatores externos que fogem do seu controle, como a presença da mãe, o alimento na hora da fome, etc. Não foge muito da lógica dos relacionamentos, uma vez que, detectando problemas, podemos tanto jogar para o outro quanto abraçar a idéia de que somos culpados e blá blá blá sem o sermos. É uma leve paranóia amorosa que dá quando questionamos nossas atitudes de uma forma tão intensa que negamos a participação do outro na formação da cena. Aham, vai abraçando, vai...
A partir daí o bebê se desenvolve numa atitude defensiva frente ao ambiente desagradável. Não se desenvolve por completo, mas se fecha numa concha que ele mesmo criou para se proteger e continuar vivendo. Bom, aí acontecem as limitações, algumas aceitáveis e outras que realmente podam a pessoa (ou o casal) da possibilidade de um desenvolvimento melhor, seja evitando modificar o presente relacionamento ou partir pra novas experiências quando a atual não é mais produtiva e sufoca. O namoro suficientemente bom depende fundamentalmente de percepção, respeito e aceitação do fato de que ambos crescem e se desenvolvem... tem toda uma estrutura psíquica predestinada a isso... basta definir se o crescimento será para o mundo ou dentro de uma concha.

17 comentários:

BelaCavalcanti disse...

anna, eu tenho um caso para vcs. analisarem. Pra qual e-mail mando? Quem sabe vcs podem me ajudar a decifrar a obcessão de um cara por mim? Talvez a obcessão nem seja dele, coitado...seja minha. mas como parar para que ELE páre?! Acho que estou num circulo vicioso e não sei como sair...Quer praticar um pouco de psicologia? Ate agora, meus analistas não conseguiram me dar uma resposta logica...Ah não ser essa: Ele é louco e vc é complicada. FUJA! (ve? Eu nem quero parecer que sou a normal da história...só mesmo um pedido de socorro: SOCORRO! Me ajuda?)

Bem Resolvida disse...

Estava lendo e achando interessante, like always, mas quando me deparei com aquele falso-eu me questionei sobre algumas coisas. Porque começar uma relação com alguém que sente ciúmes dos seus amigos e pq ter um relacionamento com alguém que não pode saber de uma festa que vc possa ir sem a pessoa?
Acredito que devemos entrar em um relacionamento continuando sendo nós mesmos desde o início e procurando cada um manter seu espaço. não é só pq estou namorando que só posso sair se estiver acompanhada do meu namorado e não quero que ele sinta necessidade de mentir pra mim sobre uma festa. Se por algum motivo ele quer ir sozinho, vá! Antes de mim ele tinha seus encontros com os amigos, pra conversar e se distrair. Não é pq vc está compromissado com alguém que precisa ser univitelino e passar a fazer tudo com essa pessoa. Estar á vontade com os amigos é muito bom e faz bem pra relação....

Beijos!

Delirios de mulher disse...

Muita gente cria um "falso eu" nas relações pra evitar brigas ou então ser o que o parceiro(a) sonha dela(ele).
Com certeza provoca enormes lacunas.
O caso é o seguinte:falar a verdade e desencadear uma possivel briga,ou mentir ficar aparentemente tudo bem,mais em compensação correr o risco de ser descoberto??

BJs

Meu diário Virtual disse...

acho isso errado de esconder o que você realmente é,e o que pensa.uma amiga minha ,vai fazer 3 anos de namoro.ela tem um amigo super proximo,mas enconde as mensagens do orkut,do celular com medo que o namorado interprete mal.
acho isso tudo muito complexo.não vejo vantagem alguma se esconder pra manter o namoro e não criar problemas.não vale a pena.ciúmes eu penso que tb é muita besteira e insegurança.claro que ter um pouquinho,tempera o relacionamento,mas ser obcessivo,é algo realmente estressante.o tempo que você perde tendo ciúmes,deixa de aproveitar a pessoa que está ao seu lado.
sei lá,relacionamento é algo tão complicado de se definir...
bjs

Thais disse...

Acho que neste meu último relacionamento(frustrado e acabado por sinal!) me doei muito mais que o meu ex, fui uma pessoa que muitas vezes não queria ser pra poder levá-lo pra frente e não deu em nada, acho que a melhor saída sempre é ser quem a gente é...por mais que doa.
Meu primeiro posto por aqui, apesar de ler todos os dias...
Bjus a Todas
=)

Mi disse...

Um namoro sem espaço é doentio, não há condições de manter uma relação saudável.

Beijos!

"Alguma frequencia" disse...

antigamente os namoros eram pré casórios mesmo, logo a vida a dois começava muito cedo, o normal hoje em dia é voce ter amigos e conhecer namorados na balada, no bar, enfim, só que os relacionamentos insistem em viver numa redoma, NÃO DÁ.
respeito, compreensão e principalmente, o fato do casal compartilhar suas coisas é fundamental para o crescimento, não de maneira isolada é claro, ninguem vive sozinho ou só a dois ¬¬

Raquel El-Bachá disse...

Se eu soubesse dessas coisas antes, talvez meu relacionamento anterior não tivesse naufragado. A terapia está me ajudando a compreender algumas coisas. Espero acertar da próxima vez.
Beijos.

Srta Emy disse...

Questão muito interessante! Pergunto-me sempre o porquê dessa minha necessidde de espaço, liberdade... e às vezes de ficar grudada até perceber que preciso do espaço para não enjoar!A verdade é que a concha é útil!
Beijo malvado-bom!
:*

Thefy disse...

Divã é pura cultura..rsrs
Adorei o texto, é sempre bom lembrar de quesitos primordiais...
Bjokas

Mariana Valente disse...

Queridos psicólogos do éssedois
esse post mostra que mais do que nunca tudo na vida (além de relacionamentos) tem que ter uma medida "certa"... Nem demais, nem de menos! No caso do amparo, os companheiros tem que ver um ao outro como um porto seguro para as dificuldades, uma pessoa com quem se possa contar e confiar! Mas o apego demasiado e a dependência em excesso causam um sufocamento que pode ser fatal ao relacionamento... Assim como a falta desse colo também, afinal pode denotar uma falta de companheirismo e ai fica naquela "solidão conjunta"! Quanto ao falso-self, vejo como uma tentativa de pôr panos quentes em algum fator que poderia desencadear uma confusão ou uma simples discussão, mas esse tipo de coisa aos poucos pode envevenar o relacionamento - opinião minha! Mentirinhas mesmo que ínfimas tem perna curta, e se a pessoa descobre, ai a confiança vai pro beleléu!
Beijos, adorei o post como sempre :)

Mary West disse...

Ain gente vcs dão dicas tão valiosas. Deviam ter um espaço para perguntas e respostas. :D

Nandinha Martins disse...

namoror suficientemente bom é aquele q completa... mais nem sei se existe mesmo mesmo...
as vezes eh taum momentaneo neh...
eu qt a isso sou mt confusa...
=///
xero

Adriana Gonçalves disse...

Ótimo post.
Toda mulher fica imaginando o principe encantado mas, quando achar um cara assim, vai achar um tédio. Não adianta, o que faz o equilibrio de qualquer relacionamento, seja ele amoroso, profissional, fraterno, é a existencia dos dois lados na moeda juntos, os defeitos e as qualidades.
Muito defeito irrita, muita qualidade enjoa!
Tem que ter os dois na medida, e o respeito no meio pra equilibrar tudo.

Beijos!

Jessica Lane disse...

Essa é a moral do voto, sempre haverá controversias!
Mas gostei da parte do "Eu voto em quem eu prefiro e não tenho vergonha do meu candidato ter menos de 1% se for o caso".
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Vc é realmente dos meus!

Sobre o post, eu li e reli várias fazer pq esse tal de Winnicott é bem complexo.
Essa coisa do falso-self no relacionamento é bem complicada, omitir ou não omitir, eis a questão...

Abraços, até a proxima o/

MELISSA S disse...

Mas que bosta. Vivi um relacionamento onde tive um falso eu por muito tempo. Fazer o q, né? Execelente post, mas falar isso pra vcs é redundância :)) Bjs

Marie Curie disse...

Ai, vamos lá...
eu li em algum lugar que de acordo com Jung a mãe suficientemente boa deve morrer para que o filho finalmente desenvolva-se. Por que no fim a mae oferece somente uma simulação dos sofrimentos do mundo. O mesmo acho que pode ser aplicado no namorado suficientemente bom. Assim, eu reforço a minha teoria de que ninguém fica com o primeiro namorado. Por que não importa quão bom ele seja, ele é um aprendizado, que será aplicado nos próximos relacionamentos. Talvez explique em um outro post, mas por cá deixo que amei o post! Adoro o embasamento de vcs pra explicar essas coisas, hihihi! Bjus da Marie!