domingo, 5 de outubro de 2008

a Mãe e a Filha - O namoro entre mulheres

Cafézinho no final de domingo sempre rende assunto, principalmente quando me encontro com amigas bolachas pra uma boa fofoca. Estava eu lá no meu lugar favorito em toda Av. Paulista, ouvindo o drama de duas amigas solteiras, a respeito de seus relacionamentos anteriores. Ambas relatavam de todo amor que deram para suas ex-companheiras, e como é díficil a dor de se entregar por inteira, e depois de toda uma intimidade criada, laços atados, juras de amor escritas, você se surpreende evitando qualquer tipo de contato com essa pessoa, que a pouco mais sabia sobre você do que você mesma.

A relação que elas me contavam tinha uma base extremamente maternal, de dar tudo por alguem. Elas discursavam como se deram na relação, de como ensinaram às suas namoradas tudo o que elas são hoje: bom senso, melhor relação com a família, melhor aceitação consigo e sua sexualidade, etc, etc. Ou seja, vejo nelas uma posição Materna em relação à amada, a filha: Eu sei o que posso te dar (tudo), sei o que posso te ensinar (amar, viver), e depois de tudo isso você não me agradece? - Claro, por que essas relações tendem a criar expectativas de que a filha irá um dia agradecer pelo esforço, pela dedicação, pelo amor incondicional.


A relação me parece estranha aí, esse tal amor incondicional materno. Ele existe? Penso que em qualquer relação em que você "se dá" ao outro, por inteira, você passa por uma metamorfose catártica, criando em você coisas que jamais pensou em fazer (mas sabia que existia latente) e supre a necessidade do outro. Mas penso,novamente, que existe uma condição: da retribuição. Esse amor no qual você se dá por completo, além de assumir uma posição hierarquica superior (por saber o que é melhor, por pensar que tem experiência), visa um feedback emocional assim que você sente a relação capengar, porque quando a pessoa vê defeito em você, não pode esquecer que foi você quem deu essa racionalização, esse pensamento maduro, de analisar relacionamentos. Até então a outra era uma criança, que se deixava amparar no seus braços e sugar de seu seio todo amor e proteção que pudesse ser abstraido por uma mulher.


E a mãe se aproveita dessa posição, e ilude inconscientemente a filha com toda dependencia que esta tem. Mas um dia essa garota vai andar pelas suas próprias pernas, vai querer conhecer e tocar tudo o que pode, introjetando todas as novas informações que aparecerem: inferninhos lésbicos, drogas, bebidas, brechós na Augusta, a ex da ex da namorada da amiga da prima chata que mora com a amiga daquela vaca que eu já peguei.


E com todos estes novos estímulos, e todo o mundo que você temia pra sua filha - a tentação, o pecado - ela vai querer fazer parte, assim como você fez um dia. Ou talvez não. Talvez você sempre achou esse mundo muito batido, e você velha demais pra vidinha sapacaxa desta geração.

21 comentários:

sugar disse...

ficou a dica.
e deu o ponto final que faltava.

Marie Curie disse...

Uau, meu Deeus! Biscavó, vc mal aparece, e quando aparece é com um post maravilhoso desses! To bege, hehe!
Bem, essa coisa de ser mãe de ex é complicado mesmo. Eu não acredito em amor incondicional. Acho que para manter um relacionamento tem que ser os dois lado a lado, essa coisas de um "ensinar" mais que o outro acaba resultando em aprendizado sim, mas acaba tendo um fim no final das contas. Já fui muito mãe, cobrei como uma boa mãe e sofri muito. No fim acho que o ideal é duas pessoas com o mesmo grau de maturidade. Pq mãe ensina pro mundo, e namorado é inteiro pra gente. Amei o post, muito muito! Beijos!

-=|Åñä £ú¢¡ä|=- disse...

Apesar do post falar do relacionamento entre mulheres, o que me bateu fundo foi a ênfase na relação mãe-filha.
Tive muitos conflitos com a minha mãe por ela ser possessiva e querer o tempo todo que eu acreditasse que ela deixou de viver a vida dela por minha causa. Sei que nenhum filho dá o valor merecido a uma mãe, porém é difícil demais, conviver com o peso de ser responsável pela felicidade de alguém.
Muitas coisas podem ser ditas sobre o relacionamento entre as mulheres, não só entre lésbicas, mas também entre amigas. Acho que as mulheres acabam tendo um comportamento maternal e depois cobram o que fazem pela outra. Isso acaba gerando um sentimento de culpa que pode destruir qualquer relacionamento. Precisamos nos questionar e aprender a nos relacionar umas com as outras, porque trocar experiências e afetos são fundamentais para a nossa sobrevivência.

Bjs

vida cotidiana disse...

Relacinamente tem que ter um seder mútuo, de entrega sim ,mas respeitando a individualidade de cada um.
Adorei o seu texto, bjs

Cruela disse...

não acredito que somente a filha aprende com a mãe. No caso das relações amorosas o aprendizado é mútuo. Você pode até ensinar sobre moral, bom senso, ética... mas aprende que é possível transar no quarto enquanto toda a família assite ao vídeo de casamento da prima.

Então, quando uma das duas resolve ir, a bagagem é maior, mas com certeza algo fica.

beijos

Drêycka disse...

hem?!

MELISSA S disse...

Ótimo post!! Essas pessoas não tiveram auto-crítica... Estçao precisando ler o Divã Rosa Choque... E haja complexo de Édipo e Electra pra ser resolvido nesse mundo, né? rs Bj!!

Gabi disse...

sem palavras.

beijinhoscomglitter disse...

nada a comentar

BelaCavalcanti disse...

É... tem que ser igual, uma via de duas mãos. dar e receber colo. Certos homens tendem a nos confundir com a mãe...quer o mesma atençao, sei la...deve rolar uma tranferencia mesmo. Mas receber colo é tão essencial quamto da.

BelaCavalcanti disse...

É... tem que ser igual, uma via de duas mãos. dar e receber colo. Certos homens tendem a nos confundir com a mãe...quer o mesma atençao, sei la...deve rolar uma tranferencia mesmo. Mas receber colo é tão essencial quamto da.

Amanda disse...

Isso acontece com todo mundo. É a tal da expectativa.
Quando se gosta de alguém você simplesmente deixa que ela tenha em mãos toda sua esperança, medos, angustias, felicidades...

Você quer ser o melhor para a pessoa e espera reciprocidade, nem todo mundo é igual e a gente esquece disso. No começo é tudo lindo e se completa, é como andar sincronizado. É mais ou menos dançar: você me conduz e depois é minha vez.

Aí de repente o dançarino quer ser sozinho e ter seu próprio musical. Ele cresce, te alcança e... xau.

Mas venhamos e convenhamos.
As vezes quem cresce somos nós.

Adoreeeei o texto =D

Allana disse...

Adorei o assunto , e semana passada encontrei uma amiga q é super mãe do ex... e ela fica arrumando desculpa ..e acha o maximo o cara sempre ligar para ela quando está com problema , quando pede socorro mesmo estando namorando com outra.
Claro eu tb ja tive esses relacionamentos super mãe...mas notei q as vezes (no meu caso sempre) isso não é bom ...afinal não sei por que mas dessa forma nunca deu certo ...
Hoje eu sou mãe de verdade...de um filho meu (rs*) e possa dar todo esse amor incondicional para ele , huahauahua ...

Raquel El-Bachá disse...

Eu infelizmente tenho essa mania de bancar a mãe de namorado e de ex namorado. Não consegui me livrar disso até hoje. Tenho que mudar isso em mim com a máxima urgência.
Adorei o post.
Beijos.

Drunken Alina disse...

No meu caso, meu namorado quer ser o meu pai.
Adora me "ensinar"... acha que sou muito maluca e que tem que me "ajudar a evoluir".
Um dia falei pra ele que eu não era um digimon pra evoluir, e que se ele se apaixonou por mim do jeito que eu sou, porque querer tanto me transformar numa chata de galochas que nunca mais o fará rir?

Samantha disse...

Adorei.. me vi nesse post.. eu sou mto mae de todos.. inclusive do meu peguete ou ex.. ainda nao sei.... e é exatamente esse sentimento q tenho.. q dei tudo q tinha de bom à ele... e nao recebi nem um obrigado em troca hauhauaha
como ele diz eu nasci pra ser mãe..
Bjao
Samantha

Japonezuda disse...

Interessante o post, eu já fui "mãe" de namorado, isso realmente não é bom, além do desgaste que nos causa, a outra parte quando gosta começa a abusa, quando não se sente sufocada.

Agora amor incondicional de mãe, existe sim, até pouco tempo atrás talves não entendesse esse amor incondicional, amor maternal, mas hoje com meu filho, posso dizer que sinto, não q eu não espera nada em troca, lógico que espero, espero que ele possa ser um grande valor, que tenha uma vida digna, que lute pelos seus ideais, que sonhe, que construa, que seja o maior pegador da cidade, que ame uma unica mulher, muitas e muitas coisas mais...
Gratidão, não espero, que me ame, essa "gratidão" vem de dentro...

Beeeeijos

Confissões de Um Ego disse...

Obrigado pela visita e desculpa a demora pra responder...mas tive alguns problemas...seja bem vinda e espero que goste e volte sempre a meu blog...bjoksssss

Anna Oh! disse...

Uopa, eu não lembro se já comentei no post, aliás, comentei pessoalmente sobre ele... e sabe qdo o negócio faz sinapse? pq às vezes achamos q estamos fazendo um bem danado pra pessoa enqto ela se sente limitada, aprisionada... o cuidado vira uma restrição. Muito delicado isso.
Serve pra namoros, amizades e inclusive a real relação mãe-filha.
Becitossss

Lala! disse...

Huhuuuuu!!
Arraso!
Bjinhosss

Enxergando além... disse...

Bom, é a primeira vez que entro no seu blog e gostei muito do texto. Estava procurando informações a cerca de relacionamento entre mulheres e foi assim que acabei encontrando seu blog.
Eu sempre me relacionei com mulheres mais velhas do que eu, e acho que a questão maior consiste em querermos projetar ou idealizar em nosso parceiro, aquilo que gostaríamos que ele fosse e quando essas espectativas não são correspondidas de acordo, os conflitos começam a aparecer. Então nos postamos de forma paternal ou maternal de forma a ensinar ao nosso companheiro(a) as posturas que queremos que eles tenham, seja diante da sociedade ou de nós mesmos. O fato é que ninguém é manipulável, não podemos molda-los de acordo com o nosso querer. Minha dica é: Estabelecer no relacionamento laços afetivos complementares, como assim? não queira mudar os defeitos ou corrigir o outro com atitudes maternais, experimente a completude do relacionamento, extraia do outro aquilo que é bom pra você e trabalhe em você aquilo que você não gosta do seu parceiro. Caso isso seja uma terafa difícil pra você, um diálogo sem pretensões de mundanças bruscas é um bom começo para quem quer ter um relacionamento longo e equilibrado.